segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Divulgação da UFSB

No final do quadrimestre os alunos da UFSB tiveram a missão de ir as escolas da região de Porto Seguro para que pudessem falar a respeito da universidade.
O trabalho foi, sem dúvida, de grande importância pois dessa maneira foi possível disseminar informações sobre a universidade.
Meu grupo(Luara, Matheus, Joaquim, Geiza, Gabriela, eu e Emille) fez visita a Escola Mundaí, localizada na Orla Norte de Porto. O contato com os alunos do ensino médio foi de grande valia, tivemos a oportunidade de observar o interesse dos alunos no ingresso do ensino superior.
Pude notar a diferença de interesse e informação sobre graduação por parte de alunos do primeiro ano do ensino médio e de alunos do segundo ano. Os primeiros demonstraram menor interesse enquanto que os do segundo ano se mostraram bem mais interessados.

Alunos da Escola Mundaí



A maioria dos alunos fizeram muitas perguntas e ficaram curiosos quanto ao novo modelo de universidade que UFSB possui. 

Aluno fazendo pergunta a respeito da UFSB

A realização deste trabalho é muito importante pois contribui para divulgação da universidade. Acredito que deve ser feito todo ano.




Anísio Teixeira e a Educação

"Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, vida no sentido mais autêntico da palavra."

Biografia:



Anísio Spínola Teixeira nasceu em Caetité, sertão da Bahia, em 12 de julho de 1900. Após sólida formação adquirida em colégios jesuítas de Caetité e Salvador, bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro em 1922 e obteve o título de Master of Arts pelo Teachers College da Columbia University, em Nova York, em 1929. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em março de 1971.
Considerado um dos maiores educadores brasileiros, Anísio Teixeira deixou uma obra pública excepcional que, ainda hoje, está à frente do nosso tempo. Sua formação educacional foi fortemente influenciada pelo pragmatismo do filósofo John Dewey, de quem foi aluno no Teachers College e cujas idéias divulgou no Brasil. Mas foi, sobretudo, nos embates entre a gestão cotidiana da educação e sua visão de futuro, em meio a aliados e adversários, que aprendeu a organizar homens e instituições.
Iniciou-se na vida pública em 1924, no governo Góes Calmon (1924-1928), como Inspetor Geral do Ensino da Bahia, passando logo depois a Diretor da Instrução Pública desse estado. Mais tarde, já no Rio de Janeiro, assumiu a Secretaria de Educação e Cultura do Distrito Federal, no governo do prefeito Pedro Ernesto (1931-1935). Nessa gestão conduziu importante reforma educacional que o projetou nacionalmente, foi signatário do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932), teve participação ativa na Associação Brasileira de Educação (ABE), criou a Universidade do Distrito Federal (UDF). Demitiu-se em 1935, diante de pressões políticas que inviabilizaram sua permanência no cargo, refugiando-se no interior de seu estado natal. Entre 1937 e 1945, afastado da vida pública, permaneceu na Bahia, dedicando-se a atividades de mineração, comércio e tradução de livros.
Em 1946, a convite de Julien Huxley, assumiu o cargo de Conselheiro de Ensino Superior da UNESCO, retomando sua atividades na área educacional. De volta ao Brasil em 1947, aceitou o convite de Otávio Mangabeira, recém-eleito governador da Bahia, para ocupar a Secretaria de Educação e Saúde desse estado, posto no qual permaneceu até o final desse governo (1947-1951). Nessa administração fez construir em Salvador o Centro Popular de Educação Carneiro Ribeiro, mais conhecido como Escola Parque, uma experiência inovadora de educação integral, onde atividades artísticas, socializantes e de preparação para o trabalho e a cidadania, e mais alimentação, higiene e atendimento médico-odontológico, complementavam as práticas educativas tradicionais. Esta obra, pioneira no Brasil, projetou-o internacionalmente.
Na década de 50 teve atuação destacada na esfera federal, no Ministério da Educação. Em 1951 assumiu a Secretaria Geral da Campanha de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, que seria por ele transformada em órgão, a CAPES. Em 1952 assumiu também o cargo de diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP). Criou, então, o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE) e uma rede de 5 Centros Regionais, com o objetivo de elaborar estudos antropológicos e sociológicos sobre a realidade brasileira. Durante sua gestão na CAPES e no INEP, proferiu inúmeras conferências no Brasil e no exterior, incentivou a criação de bibliotecas no país, foi eleito por duas vezes presidente da SBPC, participou ativamente da discussão da LDB (1961). Nesses anos de árdua luta pela escola pública, editou o seu livro mais polêmico: Educação não é privilégio (1957). E foi ainda nessa época que se tornou professor universitário, assumindo a cadeira de Administração Escolar na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, hoje UFRJ.
No início dos anos 60, juntamente com Darcy Ribeiro, foi um dos mentores da Universidade de Brasília (1961), tornando-se seu 2º reitor em 1963. O golpe militar de 1964 o afasta, mais uma vez, das suas funções públicas. A convite de universidades americanas, viaja para os Estados Unidos para lecionar como “visiting scholar”. De volta ao Brasil, completou o seu mandato no Conselho Federal de Educação (1962-1968), tornou-se consultor da Fundação Getúlio Vargas e retomou suas atividades de tradutor e escritor na Editora Nacional, organizando coleções e reeditando alguns de seus livros.
A história da educação brasileira, no século XX, está marcada por suas idéias e ações em favor da democratização das oportunidades de acesso à educação pública, universal, gratuita, laica e de qualidade. Sua obra representa um patrimônio importante da cultura nacional. O que produziu e criou permanece vivo, como mensagem inspiradora dos intelectuais e educadores brasileiros na virada do milênio.
Para saber mais sobre Anísio Teixeira, visite a Biblioteca Virtual Anísio Teixeira


Anísio Teixeira
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEilCVsJKYr6yzcRSREiTP1t55k7fxRCXEBCkcSFUHQ2QEoAVglrLTgv4-d4yPqwyN-mXnFI-r1q_d9hVLmVtPXCaZKb6KtahuhFlpq2i8rs9X4VGXADpuVShMAzcNBCZRQZoRFHrxV6fEbR/s1600/An%C3%ADsio+Teixeira.png
Hino composto por pai de aluno:
"Com dever a Bahia agradece, grande centro educacional, ao mestre AnísioTeixeira seu desvelo por nos sem igual."
Retirado do documentário "Anísio Teixeira - Educação não é privilégio"

Documentários:
https://www.youtube.com/watch?v=PO1liuYGzcw - Anísio Teixeira - Educação não é privilégio - Série Educadores Brasileiros
A série Educadores Brasileiros apresenta a biografia e a obra de grandes teóricos da educação no Brasil.
O segundo programa revela a vida e a obra de Anísio Teixeira. O objetivo principal é explorar a mais revolucionária realização desse

Link de Uma Perspectiva da Educação Superior no Brasil:
http://www.bvanisioteixeira.ufba.br/artigos/perspectiva.html 

Paulo Freire e a Educação

"Estudar não é um ato de consumir ideias, mas de criá-las e recriá-las."

Biografia:


Paulo Freire nasceu em 1921 em Recife, numa família de classe média. Com o agravamento da crise econômica mundial iniciada em 1929 e a morte de seu pai, quando tinha 13 anos, Freire passou a enfrentar dificuldades econômicas. Formou-se em direito, mas não seguiu carreira, encaminhando a vida profissional para o magistério. Suas idéias pedagógicas se formaram da observação da cultura dos alunos - em particular o uso da linguagem - e do papel elitista da escola. Em 1963, em Angicos (RN), chefiou um programa que alfabetizou 300 pessoas em um mês. No ano seguinte, o golpe militar o surpreendeu em Brasília, onde coordenava o Plano Nacional de Alfabetização do presidente João Goulart. Freire passou 70 dias na prisão antes de se exilar. Em 1968, no Chile, escreveu seu livro mais conhecido, Pedagogia do Oprimido. Também deu aulas nos Estados Unidos e na Suíça e organizou planos de alfabetização em países africanos. Com a anistia, em 1979, voltou ao Brasil, integrando-se à vida universitária. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores e, entre 1989 e 1991, foi secretário municipal de Educação de São Paulo. Freire foi casado duas vezes e teve cinco filhos. Foi nomeado doutor honoris causa de 28 universidades em vários países e teve obras traduzidas em mais de 20 idiomas. Morreu em 1997, de enfarte.
http://revistaescola.abril.com.br/formacao/mentor-educacao-consciencia-423220.shtml?page=3

Algumas de suas contribuições para a educação:
Foi secretário de educação de São Paulo e criou o MOVA, Programa de Alfabetização de Jovens e Adultos. 
Dedicou-se a educação popular de trabalhadores, especialmente a de camponeses.
Método Paulo Freire: Revolucionário método de alfabetização de adultos.


Segundo Paulo Freire ler e aprender são condições para a cidadania autêntica e a transformação do mundo.
Paulo Freire


Documentários:
https://www.youtube.com/watch?v=EzjY0x37E88Paulo Freire Contemporâneo
Documentário que retorna às origens das primeiras experiências de alfabetização e de educação popular freirianas, quase cinqüenta anos depois de sua realização em Angicos (RN), para mostrar o quanto as idéias de Paulo Freire sobre pedagogia estão vivas e presentes nos dias atuais.

http://acervo.paulofreire.org/xmlui/handle/7891/885 - Coleção Grandes Mestres Educadores - Paulo Freire
Este vídeo mostra o histórico e trajetória de Paulo Freire, com depoimentos de conhecidos e informações sobre o exílio, bem como a discussão sobre o método freiriano e suas percepções em relação ao professor, à escola, ao aluno e ao sistema.


Durante as aulas de Universidade e Sociedade nos foi proposta a leitura de Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire.
A Pedagogia da Autonomia nos apresenta elementos constituintes da compreensão da prática docente enquanto dimensão social da formação humana. Esta leitura me fez ver a educação de forma diferente, me fez repensar educação de uma forma mais humana e sensível, ampliando-me os horizontes e me fazendo mergulhar em perspectivas boas quanto a questão da docência. A visão maravilhosa de Paulo Freire quanto a educação é inspiradora, motivadora e dá sentido a prática da educação. Entender que não há docência sem discência, que ensinar não é transferir conhecimento e que ensinar é uma especificidade humana.
É interessante também esta leitura pois ilustra a ideia da UFSB quanto a autonomia.
Link de Pedagogia da Autonomia:
http://www.letras.ufmg.br/espanhol/pdf%5Cpedagogia_da_autonomia_-_paulofreire.pdf


Universidade, Ciência e Formação Acadêmica

Tivemos a oportunidade de leitura do livro de Joaquim Antônio Severino, livro este que possui temática que aborda o desenvolvimento do trabalho cientifico. O capítulo que nos foi proposto a ler foi o de Universidade, Ciência e Formação Acadêmica.
Através dessa leitura pude entender sobre ensino, pesquisa e extensão e produzir uma nova e melhorada visão a respeito dessas funções da universidade. É totalmente proveitosa a leitura que Severino faz acerca do tema.
Aqui deixo algumas compreensões embasadas e que acredito serem interessantes e importantes:

Primeiramente são as condições especificas do ensino superior que constituem o contexto para desenvolvimento do trabalho cientifico. No capitulo proposto são expostas as relações entre ensino, aprendizagem, conhecimento e educação na vida universitária.

Segundo Severino o ensino superior visa atingir três objetivos que estão articulados entre si:

  • Formação de profissionais de diferentes áreas (mediante o ensino/aprendizagem de habilidades e competências técnicas)
  •  Formação de cientistas (mediante a disponibilização dos métodos e conteúdos de conhecimento das diversas especialidades do conhecimento)
  •    Formar cidadãos conscientes (estimulados pelo sentido de sua existência histórica, pessoal e social).


O ensino superior deve também visar a contribuição para o aprimoramento da vida humana em sociedade. Sendo a universidade uma funcionária do conhecimento que está destinada a prestar serviço à sociedade no contexto da qual ela se encontra.
A universidade possui compromisso de construção de sociedade em que a vida individual esteja ligada intimamente a cidadania e a vida coletiva ligada a democracias ambas com base na solidariedade que deve existir entre os homens. Neste compromisso da universidade desenvolvem-se atividades especificas como: o ensino, a pesquisa e a extensão que devem ser articuladas entre si. Sendo a pesquisa o apoio do ensino e da extensão.
A pesquisa é o que norteia o processo de conhecimento, pois só se aprende, só se ensina, pesquisando; só se presta serviços à comunidade, se tais serviços nascerem e se nutrirem da pesquisa, só se tornam eficazes se forem resultados de uma atitude investigativa.
A universidade deve ser lugar priorizado da produção de conhecimento. A extensão universitária é o processo que articula o ensino e a pesquisa, interagindo e criando vinculo com a sociedade. A extensão ligada ao ensino envolve docente, discente e a comunidade na aprendizagem, enriquecendo o processo pedagógico. A extensão ligada a pesquisa proporciona alcance social a produção do conhecimento, enriquecendo o processo político.

-A Produção do Conhecimento Como Construção do Objeto
Produzir conhecimento é construir o objeto que se conhece: nossa capacidade de reconstrução simbólica dos dados de nossa experiência. Ensinar e aprender estão ligados a este processo de construção de conhecimento onde, ensinar e aprender significa conhecer, e conhecer, significa construir o objeto, e construir o objeto significa pesquisar.
Na universidade o conhecimento deve ser construído pela experiência ativa do estudante e não mais ser assimilado passivamente.

-O Compromisso da universidade com a construção do conhecimento
O conhecimento é a diferença entre o agir humano e o agir de outras espécies.
Toda pesquisa deve ser relevante, voltando-se a atenção ao campo de seus objetos: identificar os problemas da comunidade ao ponto que os resultados da pesquisa possam ser relevantes contribuições para a mesma, isto se realiza com a extensão.

-Da Impropriedade da Universidade da só se dedicar ao ensino
No Brasil o ensino superior tornou-se mero repasse de informações que não profissionaliza e não forma. Hoje o trabalhador deve ter a capacidade para resolver problemas com criatividade e riqueza de iniciativas, frente à complexidade das novas situações. Porém o ensino superior não está produzindo nenhuma de suas atribuições. O que existe é uma burocracia formal que só pode reproduzir mecanicamente as técnicas de produção. Dessa maneira a educação superior destina-se ao fracasso.
O grande agente causador desta ineficácia pode-se dizer que, é o não saber lidar com o conhecimento. Tratando-o como produto e não como processo. Uma contribuição para reverter esse quadro seria a prática da pesquisa no âmbito do trabalho universitário.
Muitos entendem o ensino superior de forma equivocada, defendendo a existência de dois tipos de universidade: a de ensino e a de pesquisa. Essa ideia de divisão precede ao fracasso, pois em qualquer instituição universitária, para se ter eficácia e qualidade, é preciso pedagogia de postura investigativa.

-Da Necessidade do envolvimento da universidade com a extensão
A extensão leva o estudante a vivenciar sua realidade social que permitirá a formação de sua nova consciência social. Trata-se de que a extensão é de grande importância numa dimensão própria e insubstituível.


Contudo o conhecimento produzido deve ser disseminado, transformando-se em conteúdo de ensino e a pesquisa é fundamental alicerçada a ensino e extensão. Extensão que deve estar intrinsecamente ligada à comunidade, observando projetos de alcance social. A comunidade universitária deve ter imaginação e competência para elaborar projetos. E toda instituição universitária deve ser extensionista visando à formação integral do jovem universitário. Busca-se transformar a sociedade através da participação formativa dos universitários no fazer (mundo da produção), no poder (mundo político) e no saber (mundo da cultura). Estes três eixos são os mediadores de nossa existência e só assim a universidade estará cumprindo a sua missão.

Ilha das Flores e Boca de Lixo

Na nossa primeira aula de Universidade e Sociedade vimos dois documentários bastante interessantes “Ilha das Flores” de Jorge Furtado e “Boca de Lixo” de Eduardo Coutinho, ambos, com o mesmo embasamento, porém a partir de realidades mostradas de diferentes formas. O primeiro a realidade é mostrada de forma intelectualizada, o segundo podemos ver e sentir com mais profundidade a realidade da vida das pessoas naquele ambiente.
O tema é o lixo e as pessoas que subsistem dele.
Quando vi o documentário chamado “Ilha das Flores” pude refletir a respeito de uma parte da população que vivia através do lixo. Ali, na Ilha das Flores as pessoas sobreviviam de forma desumana – Quando um porco pode ser preferido a uma criança - A desigualdade era tamanha que o animal chegava a ter mais prioridade do que o ser humano na alimentação, por exemplo. Um absurdo que uma pessoa, além de comer o que está no lixo, ter ainda que comer o que não serviu ao porco. Situação essa que comprova que o porco estava à frente de mulheres e crianças na escala de importância.
O documentário mostra também o quanto há diferença entre o ser humano que tem o poder (dinheiro), como o dono do terreno e dos porcos e aquele que não tem como as mulheres e crianças da Ilha das Flores. Pessoas vivendo literalmente do lixo, não só quanto ao reaproveitamento de materiais, mas também quanto à alimentação.  Isto pode ser explicado pela existência da desigualdade social e da diferença de classes em nossa sociedade. Ou melhor, isto não poderia ser explicado, já que a situação contraria totalmente os direitos do cidadão: acesso à justiça, alimentação adequada, comunicação social, direito a habitação, direito a informação, direito do idoso... (http://www.pgr.mpf.mp.br/areas-de-atuacao/direitos-do-cidadao-1). Isto não deveria acontecer.
Mas... A desigualdade social é uma realidade evidente no Brasil. E em alguns lugares isto toma maior proporção do que em outros.
A desigualdade de classes ganha notoriedade quando vemos os funcionários do dono dos porcos, controlarem o tempo que mulheres e crianças possuem para pegar o que sobrou que não serviu para o porco para se alimentarem.
Esse fato mostra claramente a diferença entre uma pessoa que possui “o poder” e uma que não o possui. A diferença na vida de pessoas que tem condições de terem uma vida adequada e aquelas pessoas que não tem como as mulheres e crianças da Ilha das Flores.
A realidade de quem subsiste numa sociedade desigual e injusta, de pessoas que vivem a beira da sociedade detentora do poder, pessoas que não se mostram, conformadas com o nada que lhes é proporcionado. Uma parte da população que não tem força, a parte mais fraca, a minoria que não se mostra e que não participa do processo, que não participa como cidadão de uma sociedade que para eles é utópica. Que dela não nada aproveitam, que vivem conformados em seus submundos, injustiçados e sem expectativa de melhoria.
Assim como elas existem milhares de pessoas que sobrevivem de maneira inadequada, a margem da sociedade e sem esperança de que um dia possam viver de maneira decente, com todos os direitos que todo individuo deveria ter a chance de desfrutar. Com liberdade.

"Liberdade: Uma palavra que o sonho humano alimenta e que não ninguém que explique e ninguém que não entenda." Cecília Meirelles

Catando lixo na Ilha das Flores



Trecho do documentário que serve para reflexão:

"O que coloca os seres humanos da Ilha das Flores numa posição posterior aos porcos na prioridade de escolha de materiais orgânicos é o fato de não terem dinheiro nem dono. Os humanos se diferenciam dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por serem livres. Livre é o estado daquele que tem liberdade. Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda." 

O segundo documentário traz a tona o vazadouro de Itaoca e pudemos ver melhor cada pessoa, como cada uma se sente ou enxerga o mundo. No Boca de Lixo o sujeito é mostrado, podemos perceber a realidade de cada pessoa, o modo como cada uma vive e observar a expectativa de cada um.
E qual a perspectiva de quem vive em uma condição tão baixa com relação à qualidade de vida que lhe é proporcionada?
Tenho a impressão que são as mais baixas possíveis.
Como por exemplo, dona Cícera que deposita sua esperança na filha quando diz que espera o dia em que a filha poderá se libertar daquela vida e viver o sonho de ser cantora. Dona Cícera não demonstra nenhuma expectativa de mudança de vida para ela.
Enquanto uns fogem do lixo outros correm em direção a ele. É irônico quando percebemos isto, pessoas, gente como a gente, sobrevivendo daquilo que jogamos fora. Algumas pessoas não suportam o mau cheiro, outros vivem dele e já não se importam com a situação. Uns estão lá porque queriam, preferiam ficar lá a ter alguém mandando neles.  Eles já se adaptaram, não sentem vergonha e dizem que não estão matando e nem roubando, estão trabalhando. Não tem vergonha de se mostrar como o marido de Lúcia que disse: “Sou brasileiro, sou humano então eu sou livre.”.
É livre e ao mesmo tempo preso, pois se encontra naquela vida de catador de lixo, sendo produtos do desemprego. A liberdade que o marido de Lúcia se refere é diferente da liberdade que a dona Cícera se refere.
Dali eles comem, reaproveitam objetos, vendem materiais e assim tiram seu sustento. Ali onde todos se conhecem e mantêm uma vida social. Gente como a gente, mas que não vive com a gente. Estão ali vivendo a realidade do desemprego, expostas a todos os riscos que acompanham o lixo.
“O final do serviço é o lixo, ali é o final e é dali que começa. Findou ali, mas depois que o lixo chega ali, continua, continua pra mais longe e ainda dá muita coisa.”
Que para uma parte da sociedade o lixo é o fim, para eles o lixo é o começo. E que o final de todo serviço é o lixo.
As reflexões que podemos ter a partir desses dois excelentes documentários são muitas.
A proposta é mostrar duas identidades gerais através dos documentários, uma em que não é mostrado o sujeito e outra em que o sujeito é mostrado. Bem como mostra também a realidade de quem subsiste do lixo. Assim a proposta da universidade é que os alunos como sujeito se mostrem e que possam participar do processo.
Sim, participarmos, nos mostrarmos como pessoa, como cidadão, sermos protagonistas que dentro de uma Universidade tem a chance de crescer e conduzir-se por um novo caminho. Caminho que trará novas oportunidades, que nos fará refletir mais, ter novas e melhoradas percepções, produzir mais. Mostrar-nos, de dentro para fora, nos permitir ir além, mudar opiniões, quebrar paradigmas. Até mesmo conhecer pontos em nós que até então não conhecíamos. Fazer realmente parte deste universo maravilhoso que é a Universidade. Sim, maravilhoso para mim, uma chance que devo, como estudante, procurar usar da melhor maneira possível, absorvendo tudo o que puder para minha evolução e é claro colaborando para a comunidade.

Os catadores vendo o documentário



Poema que serve para reflexão:

O Bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.

poema de Manuel Bandeira: O BICHO.
Escrito em 1947, é objeto de reflexão para as pessoas que vivem de catar lixo, mesmo depois de tanto tempo o poema não deixa de ser atual.